API destaca contribuição de jornalistas escritores à literatura paraibana

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No mundo, no Brasil, muitos jornalistas se tornam escritores ou editores de livros. Na Paraíba não é diferente. Numa rápida pesquisa encontramos cerca de 70 jornalistas, paraibanos ou radicados aqui, que publicaram um ou mais livros. E esse fato atravessa gerações há mais de 100, talvez 200 anos. No século XIX, pesquisa organizada em 2009 por Socorro de Fátima Pacífico Barbosa, pela UFPB, cataloga cerca de 150 escritores jornalistas ou jornalistas escritores.

O gosto pela leitura, pela pesquisa tem revelado nos últimos anos jovens jornalistas escritores em nossa Paraíba, a saber: Rafaela Gambarra, Marcela Machado, Felipe Gesteira, Astier Basílio, Phelipe Caldas, para citar alguns nomes.

As temáticas da literatura produzida por nossos jornalistas são diversas: música, poesia, memória, rádio, futebol, jornalismo, televisão, política, dentre outros temas.

A Associação Paraibana de Imprensa (API) gestão Marcos Wéric/Karla Alencar, com o lema API Unida e Renovada, reconhece a contribuição cultural que os jornalistas escritores prestam aos paraibanos, aos estudantes dos cursos de Comunicação e a qualquer público, e por isso publicará uma série de notícias citando jornalistas autores de importantes livros.

“Nós entendemos que contribuir com a divulgação da produção literária de jornalistas paraibanos é o mínimo que a API pode fazer. Ao reconhecer o talento de colegas de profissão que geram em livros conteúdos que acrescentam conhecimento estamos prestando não somente homenagens a esses escritores mas sobretudo indicando a leitura de suas obras que tratam de música, poesia, memória, política, futebol, televisão e tantos temas de interesse dos leitores ”, avalia Marcos Wéric.

Essa primeira notícia destaca os jornalistas Walter Galvão, Carlos Aranha, Ricardo Anísio, Rafaela Gambarra, Rui Leitão e Gilvan de Brito. Os seis jornalistas, de gerações distintas, são autores de livros sobre música.

Pela editora Ideia o jornalista e escritor Walter Galvão publicou o livro O Som Diz Sim, onde faz uma análise da carreira do músico paraibano Hebert Vianna. O som de Herbert Vianna é recorte de uma fusão de linguagens no âmbito da música popular contemporânea de expressão roqueira. Fusão de tradição de prática norte-americana e inglesa de rock com a expressão psicodélica dos Mutantes e a carnavalização da Tropicália tendo por cosmo a influência da música da África para as Américas. Estamos sempre sob o céu do blue de onde escorre o ímpeto revoltoso e mântrico do rock, o abstracionismo do jazz e o lirismo passional de Herbert Vianna, criador de música popular brasileira.

Já no livro Maio, pela editora Universitária (UFPB), Walter Galvão fala sobre a efervescência cultural nos anos 1960. Galvão, um jornalista dos mais intelectuais da Paraíba também é autor de outros livros. Natural de João Pessoa Galvão morreu em 7 de julho de 2021, aos 64 anos de idade.

O jornalista e escritor Carlos Aranha, lançou em 2014 o livro “Nós – An insight”. Carlos Aranha foi editor do suplemento literário “Correio das Artes”, no jornal “A União”, e presidente da Associação Paraibana de Imprensa, quando coordenou na Paraíba o movimento das Diretas Já. É membro da Academia Paraibana de Letras, da Associação dos Críticos Cinematográficos da Paraíba e da Academia Paraibana de Cinema. Aranha é compositor, participou de festivais de música de João Pessoa, Campina Grande, Recife e Aracaju. Lançou o disco-mix “Sociedade dos poetas putos”.

“Turismo Musical – o Rio de Janeiro”. Livro de Rafaela Gambarra inspirado na obra de Chico Buarque – impresso em Lisboa/Portugal, pela editora CHIADO – 2018. Nesse seu primeiro livro Rafaela, nascida em João Pessoa, revela: “Esse, portanto, é um livro que une, basicamente, quatro das minhas paixões: Chico Buarque, o Rio de Janeiro, viagens e escrita”. E continua: “Em suas músicas, são narradas não só as belas praias da cidade, seus pontos turísticos e o Cristo Redentor, mas, também, é mostrado o Rio de uma forma visceral: sua gente, seus costumes, suas dores, suas rimas. É o Rio de verdade, desnudo. Esse livro é, também, uma homenagem ao artista que eu aprendi a admirar desde a minha infância, quando eu ouvia tocar na rádio suas músicas”.

A obra de Chico Buarque, um dos mais completos compositores do Brasil, também inspirou o jornalista Rui Leitão que, também em 2018, publicou o livro “Um Olhar Interpretativo das Canções de Chico”. A editora é a Ideia. Nas 270 páginas Rui Leitão faz uma leitura sobre dezenas de músicas de Chico, incluindo A Banda, Acorda Amor, Apesar de Você, Atrás da Porta, Cálice, Com Açúcar, com Afeto, Geni e o Zepelim, Meu Caro Amigo, Mulheres de Atenas, Vai Passar.
No ano de 2015, pela editora A União, Rui Leitão havia publicado “Canções que falam por nós”. São crônicas sobre cerca de duzentas criações da Música Popular Brasileira. Diz o autor: “A proposta é procurar acender a percepção para as mensagens que nos são oferecidas nas letras das músicas que formam o rico acervo do cancioneiro popular brasileiro. Letras inteligentes da MPB que falam dos nossos sentimentos”. Rui é sertanejo da cidade de Patos.

“MPB de A a Z” é um excelente livro de Ricardo Anísio, editora Ideia, 2005. Crítico musical o jornalista nos apresenta em 296 páginas crônicas, críticas e entrevistas. Dentre os artistas entrevistados estão Elza Soares, Caju e Castanha, Elba Ramalho, Fagner, Geraldo Vandré, Jair Rodrigues, Moraes Moreira, Tom Zé. No texto o porque deste livro Ricardo Anísio declara: “Estou exposto. Ajudem-me com suas críticas de todas as tendências. Exponho-me para crescer, e para saber como se sentem aqueles artistas em cujas obras sentei a pua”.

Ricardo Anísio, natural de João Pessoa, também é poeta e escreveu os livros “Canção do Abismo”, “Canção do Caos”, “Em Cada Canto um Verso”, “Crônicas Musicais – Escritos sobre Astros da Música Mundial, Suas Obras”, “Simulacro”, “Florilégio”.
“Não me chamem VANDRÉ” é um dos livros do jornalista Gilvan de Brito, pela editora PATMOS – 2015. A apresentação da obra com o título Quem Vem Lá é assinada pelo compositor, cantor e instrumentista Pedro Osmar. No livro o leitor tem a oportunidade de conhecer muitos fatos sobre a trajetória de Geraldo Vandré, o ganhador de festivais, autor do “hino” CAMINHANDO “Pra não dizer que não falei de flores”, canção que ajudou a derrubar a ditadura militar.

Gilvan de Brito, nascido em 1940 em João Pessoa, no ano de 2015 contabilizava 107 livros escritos e 22 publicados. Além de jornalista e escritor é advogado, dramaturgo, poeta e letrista.

Nas próximas notícias teremos registros sobre livros de mais jornalistas a exemplo de Gonzaga Rodrigues, Felipe Gesteira, Astier Basílio, Luiz Augusto Crispim, Nonato Guedes, Gilson Souto Maior, Willis Leal, José Nunes, Linaldo Guedes, dentre outros escritores.

 

Por Josélio Carneiro

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